Sempre soube que ele estava comigo, desde os tempos mais remotos. Mas há muito percebi, que foi perdendo sua força.

Tem lá os momentos da vida que ele, o medo, aproveita para se destacar, crescer, causar, mas eu já o conheço muito bem, sei como se comporta.

Quer atenção e foco, precisa aparecer, mas é o tipo de coisa que a gente tem que tirar a
importância, disfarçar a relevância, até que ele perca a força e simplesmente desapareça.
O medo, embora tenha uma boa serventia, principalmente em casos de autopreservação,
só consegue se desenvolver de verdade, quando bem alimentado. Do contrário, na maioria
das vezes, só sobrevive no mundo da fantasia, criando suas histórias e devaneios, que se dissolvem diante da racionalização.

Hoje reconheço e sei enfraquecer esse, que um dia, me fez achar que não poderia SER…

E SENDO agora, entendo que não preciso agradar sempre, que posso lidar com imperfeições, cometer erros, mas também acreditar, criar, ousar.

Posso andar de mãos dadas com o meu medo ou correr livremente sozinha, tanto faz… Ele existe, mas tem a intensidade que eu der e anda só por onde eu quiser.

Karen Ferro