No mito de Narciso, é a fome de ser amado e reconhecido por ele mesmo, que leva à sua morte trágica. Pode-se argumentar que, por nunca ter conhecido o espelhamento adequado de qualquer outro, Narciso permaneceu em busca de sua própria imagem, em vez de um relacionamento externo.

O transtorno de personalidade narcisista é uma condição mental em que as pessoas têm um senso inflado de sua própria importância, uma necessidade profunda de atenção e admiração excessivas, relacionamentos conturbados e falta de empatia pelos outros. Mas, por trás dessa máscara de extrema confiança está uma autoestima frágil, que é vulnerável à mais leve crítica.

Há um padrão generalizado de grandiosidade (na fantasia ou comportamento), necessidade de admiração e falta de empatia, começando no início da idade adulta e presente em uma variedade de contextos.

Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Narcisista não estão dispostos a reconhecer ou se identificar com os sentimentos e necessidades dos outros. Eles se consideram acima dos outros e têm um forte senso de direito e necessidade de admiração. Os indivíduos narcisistas não se consideram defeituosos e provavelmente não procurarão tratamento.

Alguns também têm transtornos de humor, e apenas buscam relacionamentos que os beneficiem de alguma forma. Seu senso inflado de identidade resulta em uma desvalorização dos outros e de suas realizações. Pessoas com transtorno de personalidade narcisista exageram suas realizações e talentos e ficam surpresos quando não recebem o reconhecimento que esperam. Elas tendem a ter mais inveja de outras pessoas que possuem um conhecimento, uma habilidade específica ou algum tipo de “pertences” que eles não possuem. São muito egocêntricas e têm dificuldade em responder às necessidades dos outros. Os indivíduos narcisistas frequentemente exibem uma história de relacionamentos intensos, mas de curto prazo, com outras pessoas, uma incapacidade de fazer ou manter relacionamentos genuinamente íntimos e uma visão instável de si mesmo que oscila entre os extremos de autoelogio e autodesprezo. A crítica pode persegui-los e deixá-los se sentindo humilhados, degradados, vazios, embora eles não demonstrem isso.

Por causa da necessidade de admiração e seu desprezo pelos outros, eles têm dificuldade com relacionamentos interpessoais. Eles podem não estar dispostos a participar de situações em que haja risco e possibilidade de derrota.

O narcisismo está associado ao egoísmo, a um auto retorno patológico, a uma circularidade. Quando inconsciente, pode desencadear uma violência psicológica tanto no outro quanto em si mesmo. O narcisismo, em sua singularidade, também pode obstruir a relação com o inconsciente, pois isso pode parecer ameaçador por ser diferente da consciência.

A questão é se o narcisista pode aprender a se envolver com o outro ao tentar negar a imperfeição, depressão, vulnerabilidade ou dependência. Em vez de individuação, parecem preocupados em manter uma imagem falsa e ilusória de si mesmos.

“As feridas narcisistas criam inércia, sufocam a vida e remetem a uma forma de narcisismo que tem a ver não com amor-próprio, mas com ódio-próprio” (Schwartz-Salant, 1982, p. 24).

“O narcisista se esforça para manter tudo de valor dentro de si mesmo porque, paradoxalmente, ele é atormentado pela dúvida sobre se há algo de valor dentro de si” (Colman, 1991, p. 365).