Como humanos, dependemos dos outros para viver de maneira saudável e significativa todos os dias. Nossas vidas se entrelaçam inerentemente com outras, permitindo-nos ter relacionamentos gratificantes, cuidar e ser cuidados, e nos beneficiar do amor, apoio e orientação dos outros.

No entanto, em pessoas com Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), podem desenvolver um grau de  dependência intensificado, extraordinário, levando a um extremo vício, interferindo na função autônoma e comprometendo a capacidade de se envolver em relacionamentos equilibrados e saudáveis.

Essas pessoas têm um desejo intenso de proximidade com seus parceiros (ou amigos), dependendo deles constantemente para apoio e segurança.

Além de serem excessivamente dependentes, essas pessoas podem ser propensas a pensar demais, imaginam sempre que vai acontecer o pior dos cenários, são indecisas, temem a rejeição e buscam comunicação constante (e ficam ansiosas se um parceiro ou amigo não responde rapidamente).

Pessoas com TAG e relacionamentos excessivamente dependentes também podem ter que lutar contra a raiva de seus parceiros, já que costumam agir de forma destrutiva para seus relacionamentos.

Através de comportamentos e rituais obsessivos, mas que de alguma forma preenchem uma lacuna afetiva, buscam compensar de maneira compulsiva uma sensação de falta. Porém, sem encontrar uma satisfação plena em si mesmos, o que poderia trazer uma suposta sensação de completude ou plenitude.

Impulsionadas pelo medo da rejeição e abandono, juntamente com uma falta de confiança em suas próprias habilidades e julgamento, essas pessoas são tipicamente e altamente submissas e evitam conflitos. Como resultado, eles podem se voluntariar para tarefas pesadas e desagradáveis e até mesmo permanecer em relacionamentos abusivos.

Na verdade, pesquisas mostram que essas pessoas correm um risco significativamente maior de violência pelo parceiro íntimo do que a população em geral, um risco que provavelmente se deve em parte ao fato de que estar sozinho é uma perspectiva mais assustadora do que os maus-tratos. Além disso, elas muitas vezes têm muita dificuldade para iniciar projetos, tarefas ou mudanças de vida devido a uma sensação duradoura de ansiedade, desamparo e desconfiança em si mesmas.

Acredita-se que fatores ambientais, particularmente relacionamentos disfuncionais que interferem no desenvolvimento saudável, têm um impacto profundo no desenvolvimento do transtorno da personalidade dependente. Esses incluem:

  • Ruptura do apego: A falta de apego seguro na infância devido a paternidade inconsistente, abuso, negligência ou outro trauma pode comprometer a capacidade de formar um senso de identidade estável, um senso interno de segurança, apegos seguros a outras pessoas e “um equilíbrio saudável entre a independência e a proximidade com os outros.” Os sintomas da dependência podem então refletir os efeitos da lesão de apego e ser uma manifestação de abordagens de apego desordenadas.
  • Paternidade autoritária ou superprotetora: A paternidade autoritária ou superprotetora pode privar a pessoa de oportunidades de praticar a independência emocional e comportamental e a autossuficiência. Mesmo enraizado em boas intenções, esses estilos parentais podem fazer com que as crianças desenvolvam um alto nível de ansiedade, uma dependência doentia de outras pessoas para tomar decisões por elas e uma incapacidade de confiar em seus próprios pensamentos, sentimentos e habilidades, levando a profundos sentimentos de desamparo. Famílias em que a desobediência leva à negação do amor, afeto ou cuidado também podem servir como ambientes desencadeadores para dependência.
  • Recompensas inadequadas ou ausentes: a teoria da aprendizagem comportamental e social afirma que nossas personalidades são formadas por meio de condicionamento e reforço. Em outras palavras, aprendemos como estar no mundo por meio de nossas interações com outras pessoas e observando como nossos próprios comportamentos são recebidos pelos outros. Alguns pesquisadores acreditam que tanto as crianças que são recompensadas por exigirem altos níveis de cuidado quanto aquelas que nunca são recompensadas pela autonomia podem ser vulneráveis ​​ao desenvolvimento de dependência.

O reconhecimento dessas causas pode ajudá-lo a compreender melhor as raízes da dependência e a procurar opções de tratamento que as abordem.